Boyhood - Cine Tchelo

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Boyhood


Por si só o novo filme do diretor Richard Linklater (trilogia Antes do Amanhecer) já é uma obra única de se ver. Isso porque a produção levou 12 anos para ser finalizada. Não por problemas técnicos ou financeiros, os quais já assombraram muitas obras em Hollywood. Neste caso, o filme mostra com muita delicadeza e sinceridade a passagem do tempo na vida de Mason (Ellar Coltrane), desde a infância até o início da vida adulta. E o resultado é um dos filmes mais bonitos do ano. Ou dos últimos 12 anos, no caso.

Chega ser difícil dar uma sinopse de Boyhood, haja vista que aqui não é contada uma história só. Não encontramos os clichês do mito do herói (usado as pencas no cinemão), histórias sobre drogas, violência ou um terror adolescente. Neste filme o personagem principal é a passagem do tempo. Ao longo de quase três horas de exibição, a narrativa de Boyhood é cadenciada. As vezes frenética, as vezes engraçada, outras vezes lenta, quase tediosa. Assim como é a vida real.

Os atores, que se dedicaram ao projeto ao longo dos anos, foram muito bem selecionados. É lindo ver Ellar Coltrane crescendo naturalmente com o passar do filme. Ethan Hawke e Patrícia Arquette, que interpretam o pai e a mãe de Mason, retratam muito bem a passagem dos anos, evoluindo aos poucos suas características físicas e intelectuais. E esse é ponto principal de Boyhood: as mudanças na vida dos personagens, assim como os atores mudaram na vida real.

Boyhood tem diálogos simples, cenários cotidianos e tomadas bucólicas. Mas o que mais me arrancou sorrisos durante o longa foi a trilha sonora. Quem gosta de música vai sacar exatamente em que ano os personagens estão vivendo apenas com a música de fundo que toca em determinadas cenas. Tudo bem sutil. As discussões entre Mason e seu pai sobre música, cinema e namoradas também são deliciosas.

Boyhood, apesar de ser excelente, não é um filme para todos. O ritmo lento, a falta de uma trama ou suspense e a longa duração podem afastar a grande maioria. No entanto, ele é altamente recomendável por sua beleza nos diálogos, a trilha sonora, as cenas do cotidiano (mesmo que com uma premissa norte americana) e, especialmente, pela forma cuidadosa, e até amorosa, com a qual Richard Linklater conta essa história – que nada mais é que a passagem do tempo.

NOTA: 9 “Hans Solo”





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