Filmes que abordam o tema "robótico", a relação homem e máquina, o futuro da inteligência artificial e a tecnologia não é nenhuma novidade. A maioria deles bebe da água do escritor clássico Isaac Asimov e seu universo. "Chappie" não foge dessa temática, mas o diferencial aqui é o próprio robô, um dos mais carismáticos desde "Wall-E".
Em um futuro não muito distante, a cidade de Joanesburgo, após sofrer por anos com a violências no guetos, resolveu substituir policiais humanos por robôs de alta resistência e tecnologia. Deon (Dev Patel), criador dessa tecnologia, tem uma ideia ainda mais revolucionária: desenvolveu uma inteligência artificial na qual seus robôs teriam consciência. Após ter esse projeto negado pela empresa de segurança na qual trabalha, Deon resolve seguir a diante com o projeto por ele mesmo e cria o robô Chappie.
A temática que encontramos em "Chappie" é a mesma dos outros filmes do diretor Neil Blomkamp. "Chappie" se parece muito com "Distrito 9" e "Elysium". Esse futuro distópico na Africa do Sul, robôs, inteligência artificial e o tom crítico ao governo e, especialmente, ao modelo de segurança pública é a base para os filmes de Neil. Em "Chappie" temos o mais do mesmo, nesse sentido. O diretor é muito caprichoso quanto aos efeitos especiais e sabe mesclar esse lado "falso documentário".
Mas o que vale a pena mesmo neste filme é o próprio robô, talvez um dos mais carismáticos do cinema. Quando Chappie "nasce", ele passa por todo um processo de aprendizado, como se fosse uma criança. E esse tom ingênuo do robô em meio aos humanos mentirosos, corruptos e violentos é o que o personagem tem de melhor. Hugh Jackman e Sigourney Weaver também estão no elenco fazendo os vilões do longa. Contudo, seus papeis são caricatos e pouco interessantes.
Se você gosta desta temática e dos outros filmes de Neil Blomkamp com certeza irá gostar de "Chappie". O personagem é carismático, rende boas risadas e até emociona. Por outro lado, o filme escorrega muito no elenco de apoio pouco inspirado e numa visão ambiciosa demais.
NOTA: 7,5 (robôs inteligentes)

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