"118 Dias" é um daqueles exemplos de bons filmes, mas que passaram praticamente despercebidos pelos cinemas brasileiros. Até por que fica difícil nos dias de hoje um filme menor competir com blockbusters caros e arrasadores. Porém, "118 Dias" vale uma espiada, especialmente para o foco político e midiático que ele aponta e critica.
Maziar Bahari (Gael Gacía Bernal) é um jornalista iraniano que trabalha como correspondente da revista norte americana Newsweek. Durante as eleições de 2009, a qual Ahmadinejad foi reeleito, Bahari foi enviado para cobrir os eventos. Porém, após a Ahmadinejad e as suspeitas de fraude eleitoral, a população sai as ruas em protesto, sendo fortemente reprimida pelas forças governamentais. Após registrar em imagens e divulgá-las para o mundo, Bahari é preso por tempo indeterminado acusado de espionagem. E é no cárcere que ele redescobre o sentido de esperança enquanto é torturado por 118 dias.
Jon Stewart apresenta uma direção bem concisa em seu primeiro trabalho. É sempre complicado adaptar uma história real, ainda mais se tratando de tempos atuais e de um tema tão complexo como é o conflito no Iran. Mas Stewart, de certa forma, acerta ao trazer uma visão mais poética da situação de Maziar Bahari dentro do cárcere, enquanto aqui, do lado de fora, sua família e amigos se mobilizavam para tê-lo de volta.
A atuação de García Bernal é muito boa, como sempre. Em certos momentos é irritante a falta de coragem do personagem. Só que é nesse momento que esquecemos que se trata de um personagem real e não de algum herói criado por Hollywood. Qualquer um de nós poderia agir da mesma forma que o jornalista, mesmo que a apatia e a falta de coragem dessem o tom. Onde Bernal se destaca é na construção lúdica de um personagem que, olhando de fora, não é muito interessante.
"118 Dias" é um bom filme, mas não deixa de ter seus escorregões. Talvez a falta de um conteúdo mais isento da velha fórmula maniqueísta de bem e mal. O personagem também não é dos mais empáticos, embora as pessoas de verdade sejam assim. O filme, apesar disso, tem bons momentos e vale a espiada.
NOTA: 7,0 (olhos vendados)

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