Correndo por fora na disputa do Oscar desse ano, e passando despercebido nos cinemas também, "Até o Último homem" não levou nada. Mas recebeu indicações nas principais categorias: melhor ator, melhor diretor e melhor filme. Mesmo esnobado pela academia, o longa reinsere Mel Gibson no mercado, destacando-o como um dos melhores diretores de sua geração.
Desmond Doss (Andrew Garfield) é um jovem religioso que faz um voto de nunca pegar uma arma na vida e sempre ajudar o próximo. Quando os japoneses atacam a base de Pearl Harbor, desencadeando a segunda guerra para os EUA, Desmond resolve se alistar. Mas suas convicções vão de encontro com a filosofia da guerra. Agora o soldado deve provar para todos que sua lealdade e ética podem salvar muitas vidas no campo de batalha.
De uma coisa não podemos duvidar: Mel Gibson sabe como filmar. Especialmente quando o filme se trata de ação, violência, batalhas e guerra. A violência, inclusive, parece ser o mote de sua carreira. Como já vimos em "Paixão de Cristo" e "Apocalypto", Gibson eleva o estilo, dando certo "glamour" à violência explícita. Não se espante. Aqui temos corpos explodindo e vísceras para todos os lados.
Só que, apesar de parecer gratuito, o diretor exagera justamente para chocar e, neste caso, mostrar o quão descartável é a vida humano no contexto da guerra. Servido de antítese está o personagem de Garfield. Um sujeito fisicamente fraco, mas que mostra uma força interna e coragem emocionantes.
"Até o Último homem" é um bom filme de guerra e baseado em fatos reais. Gibson está em grande forma como diretor e mereceu sua indicação em 2017. Algumas fórmulas de outros filmes de guerra são repetidas, como na parte do treinamento que lembra "Nascido para Matar". Contudo, este se destaca por dar importância a seus personagens mesmo numa ótica em que a vida humana é totalmente descartável.

Nenhum comentário:
Postar um comentário