Uma das síndromes dos novos tempos é a infindável oferta de produtos, conteúdos, objetos, o que acaba dificultando ainda mais nosso poder de escolha. Aposto que a maioria aqui passa mais tempo cavocando o catálogo da Netflix do que consumindo algum conteúdo em si. Entretanto, apesar da qualidade das séries do canal oscilar bastante, ainda encontramos surpresas agradáveis. É o caso de "Happy!", que, de tão esquisita e engraçada, vai encontrar seu público.
"Happy!" conta a história do policial Nick Sax (Christopher Meloni). Corrupto, sacana e beberrão, Sax vira praticamente uma lenda no submundo ao sair da corporação e virar um matador de aluguel. Ele se envolve numa trama na qual um psicopata fantasiado de Papai Noel sequestra dezenas de criança, inclusive a sua filha de um relacionamento do passado. E é com a ajuda de amigo imaginário de sua filha, um unicórnio fanfarrão chamado Happy, que ele tenta resolver esse caso.
A série, baseada nos quadrinhos de Grant Morrison, foge do senso comum. Ela resolve se embrenhar pelo non sense e pelo absurdo e sua trama funciona como se fossem diversas esquetes de humor, ação e gore entrelaçadas pela linha narrativa principal. Como essa estrutura não é convencional, "Happy!" funciona mais para um nicho que aprecia esse humor do absurdo. Em alguns momentos lembra bastante os primeiros filmes do diretor Guy Ritchie, por exemplo.
Mas a série só funciona mesmo graças a Christopher Meloni. O ator está totalmente solto e parece se divertir no papel. Desbocado, sujo, corrupto... Meloni passeia no roteiro caótico, muito diferente de seus outros personagens icônicos em "Law and Order" e "Oz".
"Happy!" é cheia de humor negro, violência e ação. A trama, em si, não apresenta nada de novo e temos, claro, a sensação de que alguns episódios servem apenas de barriga. Contudo, frente a outros produtos da própria Netflix, a série diverte sem que seja levada a sério.

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