Não importa quanto um pai possa ser (ou parecer) presente em um processo de maternidade. Nenhum homem é capaz de entender o que uma mãe passa desde o processo de concepção de um bebê até... bem... até o resto da vida. Para que possamos entender esse processo, o diretor Jason Reitman convoca nada mais nada menos que a roteirista Diablo Cody, de Juno, e Charlize Theron, que dispensa comentários. O resultado é um dos melhores filmes de 2018 e que passou despercebido por aqui.
Marlo (Charlize Theron) é uma mãe de dois filhos e prestes a dar a luz ao terceiro. Quando o último vem ao mundo, ela se vê completamente perdida com as infindáveis tarefas em casa para cuidar das crianças, ainda mais que seu marido, Drew (Ron Livingston), não é presente na criação dos filhos. Ao se ver no limite físico e mental, Marlo resolve contratar uma "babá norturna", a jovem Tully (Mackenzie Davis), e é nesse contraste com a juventude que Marlo irá se redescobrir como mãe e mulher.
Mais do que um filme sobre maternidade, "Tully" dá suas pinceladas em diversos temas importantes que orbitam a vida de uma mulher neste processo. Sexualidade, vaidade, depressão, a relação com os filhos, o feminismo. Tudo isso é abordado ora com humor, ora com sensibilidade e drama. Apesar da direção de Reitman ser correta, os méritos aqui são sem dúvida alguma para as mulheres. A escritora e roteirista Diablo Coby aperfeiçoa seu discurso já visto em "Juno" e "Jovem Adulta". Ela aposta na sensibilidade da mulher, mas deixando bem claro a força extra humana necessária para superar tantas barreira, tanto pessoais quanto sociais.
Já Charlize Theron nos presenteia com uma das melhores atuações de sua carreira. Além de ter engordado quase vinte quilos para este papel (algo menor perto de sua atuação vigorosa), Theron sintetiza as agruras de ser mãe, esposa, mulher e ainda se encontrar como indivíduo. Se pelo menos ela não concorrer ao próximo Oscar de melhor atriz será um crime.
"Tully" é um filme gigante escondido sob um lançamento discreto, especialmente no Brasil. Se por um lado nem todos vão entender todos os detalhes cruéis da maternidade, especialmente os homens, por outro as mães e mulheres serão presenteadas com um filme bonito e vigoroso.
NOTA: 9,0

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