O diretor Brett Morgen teve acesso a um rico acervo de bastidores e, principalmente, da intimidade do astro Kurt Cobain, que cometeu suicídio em 1994, no auge da carreira, aos 27 anos. O resultado deste material é um documentário muito rico para os fãs e que traz muitas animações e músicas inéditas do líder do Nirvana, além de todo o peso que a depressão e as drogas foram em sua vida.
A trajetória de Cobain praticamente todos aqueles que gostam de musica conhecem. Ainda mais pela forma trágica e prematura de sua morte, seu casamento conturbado com Courtney Love (vocalista da banda Hole) e da relação com seus parceiros de Nirvana Krist Novoselic e Dave Ghrol. Desde o nascimento em uma família de classe média baixa nos arredores de Seatle, a adolescência problemática até o "bum" da carreira e de sua arte.
O grande diferencial deste "Cobain: Montage of Heck" é o material intimista que foi disponibilizado pela família de Cobain. Desde seus diários, passando pelas gravações carreiras até as inúmeras tentativas de cartas de suicídio, o material é de certa forma triste e emocionante. O que faltou, Morgen nos apresenta belas animações para introduzir o expectador no subconsciente de Kurt. E essa incursão não é nada agradável.
Mas o que parece mais chocante é a relação de Kurt e sua mulher com a filha Frances. Retratada em um longo material de videos caseiros, o espectador segura o fôlego ao ver um casal tão disfuncional cuidar de forma tão amorosa sua filha. Mesmo que seja uma amor também disfuncional,
"Cobain: Montage of Heck" não transforma Kurt em mito, coisa que ele é para muitos fãs. Pelo contrário. Este filme expõe as vísceras do roqueiro, artista e ser humano. Coisa que ele sempre fez em suas músicas e na vida pessoal, mas que a fama e as drogas souberam maquiar e destruir tão precocemente.

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