Não sei se ainda podemos dizer que a primeira temporada de "True Detective" é um marco para os seriados de TV. Contudo, é impossível não contemplar toda a beleza técnica, de direção e, especialmente, as atuações magistrais de Woody Harrelson e Matthew Mcconaughey no primeiro ano. Agora, na sombra desse sucesso de público e crítica, "True Detective" retorna para o segundo ano com a responsabilidade de, ao menos, se igualar ao nível anterior. Conseguiu? Veremos a seguir.
Praticamente a mesma equipe responsável por "True Detective" está de volta na segunda temporada. A diferença ficou por conta do enredo e da reformulação do elenco. Elenco este que continua estrelar. Agora, temos quatro personagens para dividir nossas atenções, dramas e torcida. Entraram para o elenco Rachel McAdams, Colin Farrell, Taylor Kitsch e Vince Vaughn. Os três primeiros interpretam três policiais de diferentes departamentos que, mesmo com seus fortes dilemas pessoais, se completam aos poucos para solucionar um crime misterioso. Já Vaughn interpreta um mafioso que faz de tudo para manter seus negócios e sua honra.
Não é recomendado assistir à segunda temporada de "True Detective" esperando o mesmo clima da primeira. Mesmo isso parecendo quase impossível, tendo em vista a qualidade e a expectativa que o primeiro ano gerou, se você enxergar essa temporada como uma história totalmente diferente com certeza vai embarcar. Alguns pontos, claro, o diretor e produtor Nic Pizzolatto manteve, como as tomadas longas (apesar da fotografia menos caprichada), a trilha sonora tensa e o roteiro bem costurado. Mas, mais uma vez, o show fica por conta do elenco.
Os policiais vividos por McAdams e Kitsch tem uma enorme carga dramática nas costas. Não só a necessidade de se afirmarem na profissão, eles tem em comum dilemas envolvendo suas sexualidades que permeiam por toda a série. Vince Vaughn é uma agradável surpresa ao impor um tom dramático e bonachão em seu personagem. É interessante ver o ator em um papel que foge um pouco de seus antigos papéis em comédias. Mas quem rouba a cena é Colin Farrell. Seu policial desajustado, alcoólatra e pai ausente, descarrega na tela toda sua frustração e fúria do começo ao fim. A busca pela redenção é o que liga estes personagens numa rede de intrigas que envolve muito peixe graúdo e que parece estar muito longe do quase inexistente poder que eles possuem.
A segunda temporada de "True Detective" não supera a primeira. Feita como uma obra de arte cinematográfica, o primeiro ano parece estar anos luz de qualquer outra produção. Mas, se afastado da sombra de sua irmã mais velha, a segunda temporada de "True Detective" é uma ótima série policial com excelentes personagens e dramas. A trama pode parecer um pouco lenta e confusa de início, o que parece ser característica de Pizzolatto. Mas, aos poucos, o expectador compra a ideia dos personagens e, no fim, não tem como não imaginar outras possibilidades para seus desfechos.

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