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sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Roma


Existe um paradoxo nos serviços de streaming de filmes e séries como a Netflix, por exemplo. Se por um lado há uma democratização de centenas de conteúdos para diferentes gostos e públicos, por outro algumas obras maravilhosas ficam privadas de serem vistas no cinema. Este é o caso do novo filme de Alfonso Cuarón. "Roma" é uma obra prima do mais fino do cinema e que infelizmente não poderemos ver na telona.

Durante a década de 70 na Cidade do México, as famílias de classe média tentam tocar suas vidas da melhor maneira possível: se amando, brigando, traindo, se emocionando. Em uma dessas famílias típicas, vive Cleo (Yalitza Aparicio), uma jovem empregada doméstica que, além de cuidar de toda casa, ajuda na criação das quatro crianças da família. E é sob o olhar de Cleo que conhecemos um pouco da vida da classe média do México que estava prestes a entrar em um terrível período de repressão política. 

Alfonso Cuarón é um daqueles raros diretores em que apostamos todas as nossas fichas em seus lançamentos. Desde que vi o alucinante "Filhos da Esperança (2006)", minha atenção para sua obra só aumentou. Tanto que em "Gravidade (2013)" o diretor foi exaltado com diversos prêmios ao redor do mundo do cinema.

Mas é em "Roma" que Cuarón alcança sua obra prima. Contando uma história através de um prima mais intimista, praticamente autoral, ele se exibe e brinca com nossas sensações ao invocar tudo o que o cinema pode oferecer ao expectador. Tensão, emoção, humor. Tudo é apresentado de forma lenta, quase morosa, mas que trabalha de forma precisa em favor a trama. A fotografia é uma das coisas mais lindas do cinema (da Netflix com certeza é) e a reconstrução do México dos anos 70 é tão sublime que, para nós latinos, nos faz entrar em uma máquina do tempo diretamente para nossa infância.

Apesar do primor técnico, "Roma" só funciona devido a seus personagens. E isso graças a Yalitza Aparicio. A atriz oferece uma interpretação delicada e ingênua que nos ganha em questão de minutos. Acompanhar a trama através de seus olhos, pequenos, inquietos e singelos, é muito reconfortante. Poético, sincero e trivial. 

"Roma" é um filme autoral e quase autobiográfico. A história é contada de forma lenta e isso pode afastar aqueles menos avisados. Mas se você é daqueles que não tem pressa em degustar o fino da sétima arte, aqui está a melhor opção possível. 

Nota: 10


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